Transtornos alimentares x Comer transtornado

 

Os transtornos alimentares (TA) são definidos pelo National Institute of Mental Health como “doenças que causam distúrbios graves no comportamento alimentar de uma pessoa, obsessões com comida, peso e forma corporal” (adaptado). Os TA comuns incluem transtorno da compulsão alimentar periódica, bulimia nervosa e anorexia nervosa e possuem critérios diagnósticos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no Código Internacional de Doenças (CID-10), e pela Associação de Psiquiatria Americana, no Manual de Estatísticas de Doenças Mentais (DSM-IV).

Para muitos jovens, principalmente do sexo feminino, os TA são um problema de saúde significativo, que podem ser influenciados por uma baixa autoestima, imagem corporal desordenada, medo intenso de ganhar peso ou recusa em manter o peso e eliminação calorias indesejadas.

Porém, existem algumas práticas alimentares que precedem o desenvolvimento de TAs. Uma pessoa pode desenvolver certas práticas alimentares nocivas à saúde e não preencher os critérios diagnósticos para o TA. Sendo assim, estes comportamentos precedentes podem ser chamados de “comportamento de risco para transtornos alimentares” ou “comer transtornado/comer desordenado”.

Esse conceito de comer transtornado envolve os problemas relacionados à alimentação, incluindo comportamentos disfuncionais ligados à insatisfação corporal e comportamentos alimentares inadequados. Os comportamentos não saudáveis para controle do peso incluem fazer dieta restritiva, jejum de longas horas, comer pouca comida, pular refeições, usar substitutos de alimentos (como shakes), tomar remédios para emagrecer, purgação ou ter episódios de compulsão alimentar, entre outras possíveis práticas.

Estudos mostram que além de o comer transtornado estar associado ao desenvolvimento de transtornos alimentares clássicos, este também se associa ao ganho de peso, ao sobrepeso e gera diversas consequências psicológicas e comportamentais, como estresse grave, baixa autoestima, problemas de personalidade e até mesmo uso de drogas e álcool. Em um estudo mostrou que adolescentes com comportamentos de controle de peso não tiveram benefícios em relação a perda de peso quando comparado a adolescentes sem estes comportamentos, em 5 anos de acompanhamento. Isto mostra que os comportamentos já citados são prejudiciais à saúde e nada eficazes.

Dessa forma, identificar precocemente o comer transtornado é de extrema importância para evitar agravamentos, como o desenvolvimento de TAs e prevenir outros danos físicos e emocionais.

Referências:

[1] Site NIMH: https://www.nimh.nih.gov/health/statistics/eating-disorders.shtml

[2] Alvarenga, Marle dos Santos, Lourenço, Bárbara Hatzlhoffer, Philippi, Sonia Tucunduva, & Scagliusi, Fernanda Baeza. Disordered eating among Brazilian female college students. Cadernos de Saúde Pública, 29(5), 879-888, 2013. Doi: 10.1590/S0102-311X2013000500006

[3] Sischo, Lacey,Taylor, John, Martin, Patricia Yancey. Carrying the Weight of Self-Derogation?Disordered Eating Practices as Social Deviance in Young Adults. Deviant Behavior 27(1):1-30, 2006. Doi: 10.1080/016396290968371

[4] LEAL, Greisse Viero da Silva et al . O que é comportamento de risco para transtornos alimentares em adolescentes?. J. bras. psiquiatr.,  Rio de Janeiro ,  v. 62, n. 1, p. 62-75,    2013.  10.1590/S0047-20852013000100009

[5] Neumark-Sztainer D, Wall M, Guo J, Story M, Haines J, Eisenberg M. Obesity, disordered eating, and eating disorders in a longitudinal study of adolescents: how do dieters fare 5 years later? J Am Diet Assoc. 2006 Apr;106(4):559-68. doi: 10.1016/j.jada.2006.01.003. PMID: 16567152.